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Flávia Ghelardi discusses the gifts that come along with aging.


Flávia Ghelardi writes from Brazil in English and Portuguese. Vá para a versão em português.

We live in a time when getting older is considered a great evil to be avoided. Aesthetic procedures of all kinds promise eternal youth. The clothes, way of speaking, and attitude of youth are adopted by people of all ages. Nobody wants to look old anymore. Even the terms "sir" and "ma'am" are seen in a negative light.  

The problem with this way of living is that people do not want to see reality, the circumstances of life that are part of their existence. Thus, they live in the world of imagination and miss the opportunity to effectively leave their mark on history, especially on the history of those who live with them.  

Each phase of life has its beauty, its challenges, its importance for maturation. Young people have a lot of intention and physical vigor, but their immaturity and impulsiveness can get in the way of making coherent decisions. The older person, because of the experience of years lived, should be the point of reference, the lighthouse for the young person to be better oriented in the decisions of his life. In a world where there are only young people, where older people always want to be young, everyone ends up being lost and not knowing where to go.  

 

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Another disadvantage of this "eternal youth" is that one loses the reason why God allowed us to become old: to learn to let go. In the process of spiritual maturation, we must learn to gradually detach ourselves from material things, which are fleeting, in order to fix ourselves on what really matters: eternal life.  

Those who are too attached to things and people find it very difficult to surrender to God, to understand the transience of this earthly life, to know that one day they will leave behind this mortal body and all material things. Whoever has this materialistic view of life, thinking that complete happiness is to be achieved here in this world, misses the opportunity to really prepare for the fullness of life, which begins with our death. 

And to help us through this difficult process, God created aging. With aging, our body gradually deteriorates, becoming weaker, uglier and all this happens to remind us that the most important thing is not matter, but the immortal soul. It would be extremely difficult for human beings to understand this dynamic of detachment if we never grew old.  

 

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A young person, in full physical vigor, does not see death as a passage to a better life. Death is a tragedy, after all the young person is living the moment in an exuberant way. However, the elderly person better perceives life going away and has the ability (or at least should have) to embrace death as a friend who will take him into the arms of the Creator.  

Let's face growing old as it really is: a great grace! An opportunity to deepen our love for God and the people around us. Of course, it is not easy; it is not pleasant to see life and vigor going away, but we must embrace growing old as a pedagogical process that the Father uses to prepare us for our encounter with Him and eternal life. 

 

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Let's face growing old as it really is: a great grace! #CatholicMom

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Envelhecer: Presente de Deus 

Vivemos em uma época em que envelhecer é considerado um grande mal a ser evitado. Procedimentos estéticos de todos os tipos prometem a eterna juventude. As roupas, modo de falar, atitude dos jovens são adotadas por pessoas de todas as idades. Ninguém mais quer parecer idoso. Até os pronomes de tratamento “senhor” e “senhora” são vistos de maneira negativa.  

O problema desse modo de viver é que as pessoas não querem enxergar a realidade, as circunstâncias da vida que fazem parte de sua existência. Assim, vivem no “mundo da imaginação” e perdem a oportunidade de efetivamente deixar sua marca na história, principalmente na história daqueles que convivem com elas.  

Cada fase da vida tem sua beleza, seus desafios, sua importância para o amadurecimento. O jovem tem muita disposição e vigor físico, mas sua imaturidade e impulsividade pode atrapalhar a tomada de decisões coerentes. A pessoa mais velha, pela experiência dos anos vividos, deveria ser o ponto de referência, o farol para que o jovem se oriente melhor nas decisões de sua vida. Então num mundo onde só há jovens, onde os mais velhos querem ser sempre jovens, todos acabam ficando perdidos e sem saber por onde ir.  

Outra desvantagem dessa “eterna juventude” é que se perde a razão pela qual Deus permitiu que a pessoa ficasse velha: aprender a se desapegar. No processo de amadurecimento espiritual, devemos aprender a ir aos poucos nos desapegando das coisas materiais, que são passageiras, para nos fixar no que realmente importa: a vida eterna.  

Quem está demasiadamente apegado às coisas e às pessoas tem muita dificuldade em se entregar a Deus, em entender a transitoriedade dessa vida terrena, de saber que um dia vai deixar para trás esse corpo mortal e todas as coisas materiais. Quem tem essa visão materialista da vida, pensando que a felicidade completa se tem aqui nesse mundo, perde a oportunidade de realmente se preparar para a vida em plenitude, que começa com a nossa morte. 

E para nos ajudar nesse difícil processo, Deus criou a velhice. Com a velhice, nosso corpo pouco a pouco vai se deteriorando, ficando mais fraco, mais feio e tudo isso acontece para nos lembrar que o mais importante não é a matéria, mas a alma imortal. Seria extremamente difícil para o ser humano entender essa dinâmica do desapego se nunca envelhecêssemos.  

Uma pessoa jovem, em pleno vigor físico, não encara a morte como uma passagem para uma vida melhor. A morte é uma tragédia, afinal o jovem está vivendo o agora de uma maneira exuberante. Porém, o idoso percebe melhor a vida indo embora e tem a capacidade (ou pelo menos deveria ter) de abraçar a morte como uma amiga que o levará aos braços do Criador.  

Vamos encarar a velhice como ela realmente é: uma grande graça! Uma oportunidade para aprofundarmos nosso amor a Deus e às pessoas que nos cercam. Claro que não é fácil; não é gostoso ver a vida e o vigor indo embora, mas devemos abraçar a velhice como um processo pedagógico que o Pai usa para nos preparar para o nosso encontro com Ele e a vida eterna. 


Copyright 2023 Flávia Ghelardi
Images: Canva